Mendoza, a rota dos vinhos do Vale do Maipú

No último feriado nacional tivemos a oportunidade de ir até Mendoza na Argentina, no Vale do Maipú. Foi nessa viagem que pude conhecer um pouco mais da famosa rota dos vinhos e publicamos tudo em nosso Instagram (@vinhosincriveis).

A região de Mendoza, na Argentina, é conhecida como a rota dos vinhos argentinos e possui diversas áreas que formam a grande Mendoza. Aqui conheci três diferentes regiões, uma por dia, conhecendo três vinícolas, com um bônus de uma quarta vinícola no segundo dia da viagem, passeio ideal para os amantes de vinhos. Essa região também é bastante conhecida por produzir excelentes vinhos Malbec, além disso, a região de Mendoza é responsável por aproximadamente 70% de toda a produção de vinhos de toda a Argentina, tornando-a uma das mais importantes regiões de vinhos do continente americano.

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Como chegar?

Para chegar até a região de Mendoza fiz uma pequena aventura. A passagem aérea foi emitida com a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, empresa estatal do país. O valor total das passagens aéreas ficou em torno de R$ 1.200 já com taxas e apesar de ser uma região de um país vizinho ao nosso a logística para chegar até lá não é das melhores.

Os meus voos, tanto de ida como o de volta, fizeram conexão em Buenos Aires, capital argentina. O voo de ida acabou sendo melhor que o voo da volta, pois o tempo de conexão foi de apenas 2 horas e 30 minutos e não precisei trocar de aeroporto. Parti de São Paulo (Aeroporto Internacional de Guarulhos) às 07:00 horas, chegando em Mendoza às 14:30 horas. Já no voo da volta saí de Mendoza às 7:00 horas e cheguei em São Paulo somente às 18:00 horas. É isso mesmo, 11 horas, sem contar que foi necessário trocar de aeroporto em Buenos Aires, do Aeroparque (AEP) até Ezeiza (EZE). Há transfer entre os aeroportos que tem duração média de 40 minutos a 1 hora e custam 150 pesos argentinos, algo em torno de R$ 10 na conversão atual.

Além de não ser uma logística fácil e confortável, o atendimento da companhia aérea deixou muito a desejar. Comissários não muito simpáticos e aviões um pouco velhos, com problemas nos encostos das poltronas. Provavelmente, escolherei outra companhia aérea quando voltar a Argentina.

Onde ficar?

Em relação à hospedagem, em Mendoza fiquei no Hotel Sheraton que custou em torno de R$ 900,00 os 3 dias, com café da manhã incluído. O hotel é excelente e fica perto de restaurantes e bares, muito bem localizado! A cidade é muito simpática e tranquila, me senti muito à vontade para andar a pé sem qualquer problema.

Já estabelecida em Mendoza, a primeira rota que fiz foi o Vale do Maipú, destaque desse post, conhecendo três bodegas (vinícolas) ícones da região, que acredito ser um bom número para se conhecer com calma e desfrutar o passeio com tranquilidade.

O Vale do Maipú dista 20 km da cidade de Mendoza e é possível reservar um carro com motorista para ficar com maior liberdade na sua programação. Foi o que eu fiz, reservando com o Leo Vendimia. Meu motorista foi o Sr. Jorge, muito pontual, atencioso e simpático. Recomendo a quem estiver planejando uma viagem para Mendoza. Caso se interessem, o contato dele é +54 9 261 545-0651 (Whatsapp).

Custo

Para fazer todos os passeios relatados nessa sequência de posts do Viagens Incríveis, o investimento foi de USD 500 (dólares) com tudo incluso, exceto passagens aéreas e hospedagem, já descritos acima.

É barato? Sabemos que não, porém, é importante ficar claro que esse tipo de passeio é dedicado aos viajantes que gostam de vinhos e/ou têm curiosidade para conhecer um pouco mais do processo de produção de vinhos dentro de uma das mais importantes áreas de produção de vinho da Argentina. Se vale a pena? Na minha opinião SEM DÚVIDA!

As Bodegas

Falando especificamente das bodegas que conheci nessa viagem, é realmente muito difícil escolher quais visitar. São muitas bodegas interessantes e com cenários deslumbrantes, já que ficam aos pés da Cordilheira dos Andes. A primeira que estive foi a Bodega Santa Julia da família Zuccardi, uma das mais tradicionais da região. A Bodega Santa Julia recebeu esse nome em homenagem a única filha de José Zuccardi, hoje Júlia Zuccardi é responsável pelo centro de visitação da bodega.

Vinhos Zuccardi - Vale do Maipú

Fiz primeiro a visitação na bodega, conhecendo todo o procedimento de fermentação do vinho e amadurecimento em barricas. Após isso houve a degustação propriamente dita. Existem alguns tipos de degustação disponível aos visitantes. A escolhida foi a degustação premium, em que foram degustados 5 diferentes vinhos na linha Zuccardi: um branco Chardonnay, um tinto Malbec, um tinto Cabernet Sauvignon, um tinto Cabernet Franc e um tinto Tempranillo.

Confesso que foi uma das melhores degustações que fiz! Por ser a premium tive tratamento diferenciado em uma sala menor e com menos pessoas, podendo realmente aprender cada aspecto dos vinhos degustados. Na minha opinião, vale muito a pena pagar um pouco mais e ter uma experiência mais completa.

Bodega Santa Julia - Vale do Maipú

A segunda bodega visitada foi a El Enemigo de Alejandro Vigil onde desfrutei do almoço harmonizado. Uma experiência ímpar!  Além disso, Alejandro é enólogo principal da vinícola Catena Zapata, engenheiro agrônomo (mestre dos solos) e apontado como um dos profissionais mais talentosos da vitivinicultura argentina.

O almoço ocorreu em três passos: entrada, prato principal e sobremesa, muito comum nas refeições argentinas.

El Enemigo - Vale do Maipú

A entrada ficou por conta das famosas empanadas argentinas recheadas de ossobuco. O prato principal foi o ojo de bife (não podia ser diferente) e a sobremesa pudim com doce de leite argentino caseiro. Para harmonizar com esses maravilhosos pratos, forma servidos três vinhos tintos: El Enemigo Syrah, El Enemigo Bonarda e o Gran Enemigo safra 2014.

Não preciso nem dizer que foi uma experiência enogastronômica incrível.

Almoço - Vale do Maipú

Sobremesa - Vale do Maipú

A terceira e última vinícola que visitei foi a Bodega La Rural conhecida pelos seus famosos vinhos Rutini. Honestamente, todas as bodegas visitadas nesse dia, essa foi a que menos me encantou. Nas duas anteriores, fui extremamente bem recepcionada e nessa o tratamento deixou a desejar.

Apreciava bastante os vinhos Rutini e estava na expectativa para conhecer essa bodega. Acabei saindo de lá frustrada, porém degustei um Rutini Pinot Noir que valeu a visita apesar do mal atendimento.

Vinho Ruttini - Vale do Maipú

Com essa última degustação, encerrei meu passeio pelo Vale do Maipú e posso dizer que ao final fiz excelentes opções.

O Vale do Maipú possui muitas outras bodegas, além dessas que eu visitei. Recomendo muito as duas primeiras que visitei e a terceira apenas se você for realmente fã do vinho Rutini.

Outras vinícolas no Vale do Maipú: Trapiche, Cecchin Domaine St. Diego, Familia Di Tommaso, Finca Flichman, Bodegas López, Tempus Alba, Vistandes e Sin Fin.

Se você é um amante de vinhos e quer acompanhar nossas aventuras enogastronômicas, siga nosso Instagram (@vinhosincriveis).

Você já teve a oportunidade de visitar o Vale do Maipú, não deixe de comentar abaixo e deixar sua opinião para ajudar outros amantes de vinhos argentinos.

Autor: Graziela Carlucci

Enófila, curiosa e advogada de profissão, uma viajante pelo mundo e quando é possível juntar com o mundo dos vinhos, se torna uma experiência sensacional.

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